quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nem tudo é o que parece ser





Na minha vida de importante somo dois tesouros: meu pai alcoólatra e meu cachorro pulguento.
Meu pai odeia meu cachorro por achar que eu endereço maior valor a um ser irracional, quem em seu juízo, é tão inferior aos humanos, enquanto minha família (ele) fica a mercê de migalhas afetivas. O que não deixa de ser verdade.
Já meu cachorro odeia meu pai. Isso se dá, desconfio eu, pelos maus tratos sofridos pelo animal.
Com isso enfrento a mesma rotina desgastante todos os dias. Enquanto preparo o almoço vejo o velho alcoolizado gritar e lançar objetos no pulguento, e o cachorro hiperativo e irritado manifesta-se com graves latidos e rosnadas violentas. Contudo o que mais me impressiona é que quando sirvo a refeição, e o velho se prepara para devorar sua comida, o cãozinho imediatamente pula no colo do velhote e ali se deleita manso e carinhoso. O bêbado patriarca após o término da refeição coloca o prato no chão e dorme acariciando o animal. Após os primeiros roncos o cão pula agilmente no chão e come o restante da comida que o prato armazenava.
E assim eu percebi que nem tudo é o que parece ser, pois meu pai que se julga tão superior a um ser irracional na verdade não passa de um ser carente e isso é o combustível da sua desgraça emocional, e sinceramente não consigo encontrar nem um resquício de superioridade em um homem alcoolatra solitário e carente. Já o animal odeia meu pai, mas precisa de uma encenação a caráter para garantir sua comida e sobrevivência. Em suma, eu morro de medo de alimentar o cachorro e ele se vingar do meu pai, e de sua superioridade, o abocanhando até a morte!


Breno Callegari Freitas

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