domingo, 1 de julho de 2012

Tribalistas - Carnavalia

Belchior - Coracao Selvagem

Belchior

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, conhecido simplesmente como Belchior (Sobral26 de outubro de 1946), é um cantor e compositor brasileiro. Foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional, em meados da década de 1970.

Durante sua infância, no Ceará, foi cantador de feira e poeta repentista. Estudou música coral e piano com Acaci Halley. Seu pai tocava flauta e saxofone e sua mãe cantava em coro de igreja. Tinha tios poetas e boêmios. Ainda criança, recebeu influência dos cantores do rádio Ângela MariaCauby Peixoto e Nora Ney. Foi programador de rádio em Sobral. Em 1962, mudou-se para Fortaleza, onde estudou Filosofia e Humanidades. Começou a estudar Medicina, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Ligou-se a um grupo de jovens compositores e músicos, como FagnerEdnardoRodger RogérioTetiCirinoentre outros, conhecidos como o Pessoal do Ceará[1].
De 1965 a 1970 apresentou-se em festivais de música no Nordeste. Em 1971, quando se mudou para o Rio de Janeiro, venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a canção Na Hora do Almoço, cantada por Jorge Melo e Jorge Teles, com a qual estreou como cantor em disco, um compacto da etiqueta Copacabana. Em São Paulo, para onde se mudou, compôs canções para alguns filmes de curta metragem, continuando a trabalhar individualmente e às vezes com o grupo do Ceará.
Em 1972 Elis Regina gravou sua composição Mucuripe (com Fagner). Atuando em escolas, teatros, hospitais, penitenciárias, fábricas e televisão, gravou seu primeiro LP em 1974, na gravadora Chantecler. O segundo, Alucinação (Polygram1976), consolidou sua carreira, lançando canções de sucesso como Velha roupa colorida,Como nossos pais (depois regravadas por Elis Regina) e Apenas um rapaz latino-americano. Outros êxitos incluem Paralelas (lançada por Vanusa)e Galos, noites e quintais (regravada por Jair Rodrigues). Em 1979 no LP Era uma Vez um Homem e Seu Tempo (Warner) gravou Comentário a respeito de John (homenagem a John Lennon), também gravada pela cantora Bianca. Em 1983 fundou sua própria produtora e gravadora, Paraíso Discos, e em 1997 tornou-se sócio do selo Camerati. Sua discografia inclui Um show – dez anos de sucesso (1986, Continental) e Vicio elegante (1996, GPA/Velas), com regravações de sucessos de outros compositores.
Em 2009, a Rede Globo noticiou um suposto desaparecimento do cantor. Segundo a Globo, o cantor havia sido visto pela última vez em Abril de 2009, ao participar de um show do cantor tropicalista baiano Tom Zé, realizado em Brasília.[2] Turistas brasileiros afirmam terem-no encontrado no Uruguai em julho do mesmo ano.[3] As suspeitas foram confirmadas quando Belchior foi encontrado no Uruguai, de onde concedeu entrevista para o programa Fantástico, da Rede Globo.[4] Na entrevista, o cantor revelou não haver desaparecido e estar preparando, além de um disco de canções inéditas, o lançamento de todas as suas canções também em espanhol.

APENAS UM RAPAZ LATINO AMERICANO - BELCHIOR

Vendo de baixo


Decorei com vasos floridos a porta na intenção de transforma-la em janela.
E cansando de cansar,
Deitei no chão para observar quem passava.
Descobri que o Padre usa um Nike branco,
E que a mulher do açougueiro tinha um dedo a menos.
Empolgado a ousar
Virei de barriga para o céu
E lá de baixo observei as nuvens, que pareciam ainda mais distantes.
Senti-me sob guarida.
Percebi que o chão não é alvo constante do olhar das pessoas,
Assim posso observar sem ser percebido.
O lugar certo. O melhor lugar
Para um maluco poeta criar, observar e sonhar.
Agora afirmo, sem por jeito hesitar:
Tolo é aquele que acredita
Que o que vem de baixo não machuca.

Breno Callegari Freitas
http://deliriumpoetico.blogspot.com.br/

Parteiro pecador

Senhores desculpem-me, pois pequei!
Não consegui transfigurá-la.
Ela nasceu assim.
E por covardia deste poeta permanecerá deste modo!
Oras cabe à parteira,
Decidir arrancar um membro da criança
Por julgar deformidade?
Não!
Por isso julgue-me e punam-me,
No entanto mais vale o que de mim é natural
Do que o forjado em sentimentos nunca assimilados.


Breno Callegari Freitas

Vida


Aparecida na terra.
Em corpo nascida.
Escrava ou mandante da terrena guerra.
Será que ao universo é merecida?
Enquanto vida, que o tempo dará perdida.
No percorrer de existenciais caminhos e atalhos.
Vida! Por quem foste urdida?
Trabalhada tal manta de coloridos retalhos.
Por ilhas e continentes espalhada.
E ao passado espelhada.
Numa qualquer Imagem.
Que sem passaporte de origem, segue a sua viagem.
Largada neste circular tabuleiro.
A servir a morte.
Até ao ultimo passo em direcção do faroleiro.
Que desde a nascença nos guia a seu norte.
Por entre um sem fim de encruzilhadas.
Subidas e descidas entre vales e montes.
No continuar de outros pegadas.
Sempre em demanda de melhores fontes.
Com uns, a viverem no paraíso. E outros, mil trabalhos.
Uns, até já nascem sem vida.
Neste tecer de retalhos, ainda sem viventes agasalhos.
Nem benfazeja pegada, há vida percorrida.
Outros, tarde morrem.
E alguns, até mais que um século percorrem.
Vida de infindas existências.
Sempre a deixarem as pegadas de suas vivências.
Corpo, animo e crescimento.
A universal movimento.
Energia! Escondida e vestida.
Por áurea encoberta.
A quem és convertida?
Nesta vida incerta.
Que leva a mulher a pintar os lábios.
E os homens, a fortalecer os músculos.
Uns a quererem ser sábios.
Enquanto outros, restam corpos nulos.
Pegadas sem rastos.
Passos há vida gastos.
Mas todos, corpos, a caminhar para morte certa.
Mesmo que a vida, tenha sido sentida e bendita.
Forte e desperta!
Ou sem rumo, perdida por força maldita.
Todos os corpos, como os trapos, findarão.
Mas alguns trapos, ainda darão mantas de agasalho.
Os corpos! Esses, com o tempo somente cinzas darão!
Em pó findaram, depois de tanto trabalho.
De tanta maquilhagem feita à mentira ou à verdade.
À escravização ou à liberdade.
Pó que o tempo verterá
E em nova vida converterá.
E nele as pegadas,
Serão sempre ao tear as balizagens.
Das novas engrenagens.
Que teceram no tempo o caminho que nos levará à morte.
Ou a melhor sorte..
Mas uma coisa é certa e concreta.
O faroleiro da morte, continuará com a luz desperta.
E a tanto, lá se vai o verniz, e a adelgaçante dieta.
Assim como, a nunca farta pança.
Mas das pegadas, sempre restará alguma obra feita.
Deixada como herança.
Espólio que a morte não transporta.
Mas o corpo há vida suporta.
Seja obra danosa ou benéfica.
Por mais ganancioso que o ser seja, por cá fica.
A outros corpos, que em paz, ou em guerra.
Findarão também no pó da terra.
A suportar o tear de nova tecelagem.
No continuar das pegadas a universal miragem.
Entre tanto retalho e poeira, a que vem tanto esbracejar?
Tanta mão armada
A pelejar.
Se a energia, simplesmente, quer ser amada.
E ao todo, em vivido colorido desnudar-se.
E por entre retalhos de coloridos sem fronteiras, caminhar.
Há vida , mostrar-se.
E de braços estendidos o todo acarinhar.
Eduardo Dinis Henriques